sexta-feira, 1 de maio de 2026

BOLETIM 04 - ANO XXI - ABRIL DE 2026

A LIBERDADE DE IMPRENSA NO BRASIL E NO MUNDO

Destaques: STF manda Governo de SP indenizar fotógrafo atingido em cobertura de manifestação. Profissionais sofrem ameaças e agressões no DF, AM e PA. Ministros assinam protocolo em defesa de comunicadores. RSF e SIP denunciam piora na liberdade de imprensa mundial. Repórter é assassinado na Guatemala.

NOTAS DO BRASIL

Brasília (DF) I – O fotógrafo autônomo Sérgio Silva, após mais de uma década de espera, será indenizado em R$ 100 mil e receberá pensão vitalícia do Estado de SP, que foi responsabilizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão de 28 de abril, por incidente durante as manifestações de 2013, quando ele ficou cego de um olho após ser atingido por uma bala de borracha disparada por um policial militar. O repórter fotográfico teve o pedido negado em primeira instância em 2017, sob a justificativa de que o próprio Sérgio teria sido culpado do ocorrido, por se colocar no meio do confronto entre a PM e os manifestantes. Anos depois, em 2023, o Tribunal de Justiça de SP (TJ-SP) também negou a indenização. Agora, na decisão do STF, todos os quatro ministros do colegiado entenderam que o governo estadual deveria ser responsabilizado civilmente pelo episódio ocorrido com o fotógrafo enquanto ele trabalhava para cobrir a manifestação.

Brasília (DF) II – A revista Fórum pode manter reportagem sobre fraudes e lavagem de dinheiro sobre a qual havia um pedido de remoção feita em pedido de tutela de urgência impetrado pelo presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Carlos Antônio Fernandes. O juiz Cleber Pinto, da 16ª Vara Cível, entendeu que “a limitação de publicações jornalísticas de forma liminar deve ser evitada quando a narrativa veiculada se restringe a informações de interesse público oriundas de investigação oficial, sem intenção clara de difamar”. Na ação, o autor alegou que o veículo havia publicado matéria tendenciosa e com informações inverídicas, que o trataria como responsável por um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro que poderia ultrapassar R$ 500 milhões. Segundo o presidente da CEF, a publicação induzia o leitor a conclusões negativas de cunho criminal a seu respeito, além de vinculá-lo indevidamente ao Grupo Fictor e ao Banco Master. Diante disso, ele pediu à Justiça a retirada imediata da URL e de qualquer conteúdo que reproduzisse a matéria, inclusive em redes sociais, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. Ao analisar o pedido liminar, o julgador destacou que a Constituição Federal estabelece o dever de o intérprete harmonizar, de forma equilibrada, o direito à informação e a proteção aos direitos da personalidade (honra, imagem e vida privada). O magistrado observou que o texto impugnado tem caráter meramente informativo, noticiando apenas que a instituição presidida pelo autor foi alvo de investigação.

Canaã dos Carajás (PA) – O jornalista Carlos Magno de Oliveira, segundo o Instituto Movimento Voto Consciente Canaã, tem sido alvo de acusações infundadas, intimidações e indícios de uma articulação criminosa com potencial risco à sua integridade física. A manifestação da entidade ocorre diante de indícios de que as ameaças possuem relação direta com a atuação profissional do comunicador, conhecido localmente e com passagem pela assessoria de comunicação municipal.

Parauapebas (PA) – O apresentador Elson Brito, do Programa Alerta 96, na Rádio Arara Azul FM, registrou em 28 de abril um Boletim de Ocorrência após relatar ameaças e ofensas verbais. As intimidações começaram após a divulgação, em seu programa, de informações relacionadas a investigações sobre um ataque com explosivos em uma fábrica de rações no bairro Palmares Sul. De acordo com o Boletim de Ocorrência, Elson Brito recebeu diversas ligações ao longo da tarde de um empresário supostamente ligado ao caso. Em uma das chamadas, o comunicador afirma ter sido alvo de xingamentos e ameaças veladas. Ainda conforme o relato, o interlocutor teria insinuado possíveis “consequências” caso o tema continuasse sendo abordado no rádio, indicando uma tentativa de intimidar o profissional.

Brasília (DF) II - Os ministros Wellington Silva (Justiça e Segurança Pública) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social), em 7 de abril – Dia do Jornalista, promoveram a assinatura do Protocolo Nacional de Investigação de Crimes contra Jornalistas e Comunicadores. Elaborada no âmbito do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a iniciativa estabelece diretrizes para a atuação dos órgãos de segurança pública na apuração de crimes contra profissionais da imprensa, com foco na proteção das vítimas, na padronização dos procedimentos investigativos e no fortalecimento da cooperação entre instituições.

Fortaleza (CE) - A revista eletrônica Consultor Jurídico está sendo processada por suposta difamação e calúnia pelo policial penal Abrahão Possidonio, que sequer especifica qual notícia teria lhe causado danos. O policial se revolta contra a menção de seu nome em documentos oficiais elaborados por órgãos de investigação estatais a mando do STF. Embora isso não esteja explícito na ação, Possidonio só foi citado pela ConJur em uma notícia de novembro de 2022 que detalhava líderes, financiadores e outros participantes das manifestações golpistas que aconteciam à época em diferentes estados, cujo intuito era contestar o resultado das eleições presidenciais. O texto se baseou em relatórios das Polícias Militar, Civil e Federal, além dos Ministérios Públicos estaduais, obtidos pelo jornalista Fausto Macedo, do Estadão. Eles foram produzidos e enviados ao STF por ordem do ministro Alexandre de Moraes. A notícia dizia que as autoridades não identificaram lideranças locais no CE, mas apenas alguns proprietários de carros presentes nas manifestações. Um deles era Possidonio. Nenhum crime foi atribuído ao policial penal pela ConJur. Também não houve qualquer ofensa. O texto sequer se refere a ele como líder, financiador ou organizador dos atos antidemocráticos ocorridos no CE. Mesmo assim, a revista eletrônica virou alvo, no último ano, da ação movida pelo policial penal. Também são réus neste processo o portal g1, a revista CartaCapital, os jornais O Povo e Diário do Nordeste, além das big techs Google e Meta — embora o único texto efetivamente apontado na petição inicial seja o da CartaCapital.

Rio de Janeiro (RJ) - A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), por meio de sua Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos, encaminhou ofício ao Ministério Público de SP solicitando a investigação e a responsabilização dos autores de ameaças virtuais dirigidas ao comunicador Ricardo Antônio de Oliveira, conhecido como Ricardo Nêggo Tom, do site e da TV Brasil 247. As intimidações ocorreram após comentários do jornalista sobre um caso de violência policial em SP e que, segundo a ABI, configuram não apenas uma tentativa de constranger o exercício profissional do comunicador, mas também um ataque à liberdade de imprensa e ao direito à informação da sociedade. No documento, a entidade destaca a necessidade de apuração rigorosa dos fatos, ressaltando que a proteção ao trabalho jornalístico é um princípio assegurado pela Constituição e reafirmado pelo STF.

Brasília (DF) IV – A repórter Heloisa Villela, do ICL Notícias, reagiu ao ser atacada por uma mulher, na manhã de 30 de abril, durante uma transmissão ao vivo para o jornal “ICL Notícias 1”, exibido no YouTube. Direto do Congresso, a jornalista fazia uma análise política e comentava a derrubada do veto de Lula, quando uma desconhecida surgiu e falou em seu microfone. “É desinformação, fake news que ela está falando”, acusou. Sem pensar duas vezes, a repórter rebateu o ataque e disparou: “É pessoa que circula no Congresso, que não sabe de nada e que fica se intrometendo no trabalho dos outros”. Insistente, a intrusa voltou e disse mais coisas: “Fala que é só para o pessoal do 8 de janeiro”, levando a jornalista a perder a paciência. “Ninguém te convidou para participar aqui. A gente está trabalhando. Não é sobre o 8 de janeiro, você está desinformada. Vai ler a lei”, pediu Heloisa. “Mas eu tô falando. Fala a verdade, então. Eu ouvi”, retrucou a mulher. O bate-boca então foi além. “O projeto de lei inclui progressão de pena para todos os crimes. Então não tem condição”, explicou a jornalista. “É mentira. Não é isso”, continuou a desconhecida. “É esse tipo de coisa que a gente enfrenta o tempo todo. A desinformação que o pessoal fica ouvindo na extrema direita, nos grupos do WhatsApp, e repete. Ouve os deputados que mentem pra eles e repete”, recomendou a repórter. Do estúdio, a apresentadora Vivian Mesquita então interrompeu a transmissão e falou com a colega. “Helô, nem vamos dar mais palco aqui. Já volto contigo já, já, você me dá um alô aqui. Uma falta de respeito gigantesca, a gente não vai admitir isso aqui, a Helô está fazendo o trabalho dela”, lamentou.

Brasília (DF) V – As ONGs Artigo 19 e Repórteres sem Fronteiras (RSF), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de SP (SJSP) ajuizaram uma ação civil pública contra a União pelo uso indevido da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitoramento ilegal de jornalistas e comunicadores durante o governo anterior. Na ação, as organizações destacam casos claros de vigilância indevida contra profissionais de imprensa que configuram um grande sistema de monitoramento ilegal contra os comunicadores, por meio de campanhas de difamação e ataques nas redes sociais, risco de violação do sigilo da fonte ou invasão da privacidade dos profissionais. As entidades reiteraram ainda que, segundo investigações da Polícia Federal analisadas por tribunais superiores, existem evidências concretas de “houve desvio de recursos humanos, financeiros e tecnológicos da agência para atender a interesses pessoais de determinados agentes políticos, com ações ilegais voltadas especificamente contra jornalistas e veículos de mídia”. As organizações pedem indenização por danos morais coletivos à categoria dos jornalistas, com o objetivo de responsabilizar a União por graves violações praticadas por agentes contra comunicadores e veículos de imprensa durante o governo anterior; a inclusão de representantes da sociedade civil no mecanismo externo de controle da Abin e a realização de cursos de formação para os agentes sobre proteção dos jornalistas e garantias do livre exercício do trabalho jornalístico.

Manaus (AM) - O repórter João Lucas da Silva Mariano, da Rede Onda Digital, foi empurrado por um perito criminal enquanto cobria um acidente na avenida Oitis em 9 de abril. A situação foi registrada em vídeo e circulou nas redes sociais. Segundo relatos, o perito Gláucio Gradela Gomes se aproximou da equipe de reportagem e empurrou o profissional, alegando que a presença da imprensa estaria desrespeitando a vítima do acidente. Após o ocorrido, o repórter procurou o 9º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde formalizou um Boletim de Ocorrência. O caso provocou debates sobre os limites da atuação de agentes públicos e o respeito ao trabalho da imprensa. A Rede Onda Digital condenou a atitude e classificou o episódio como uma tentativa de intimidação ao exercício do jornalismo. A empresa afirmou que não tolera qualquer tipo de violência contra seus profissionais e reforçou o compromisso com a liberdade de imprensa. O governador interino Roberto Cidade também repudiou a agressão e destacou que a conduta não representa o comportamento esperado de servidores públicos. Ele informou ainda que foi determinada a apuração imediata dos fatos, ressaltando a importância da atuação da imprensa para a democracia.

São Paulo (SP) I – A TV Bandeirantes recebeu determinação judicial para remoção de publicações em redes sociais e proibição de vincular um empresário a crimes de roubo e fraude. A juíza Priscilla Neves Netto, da 30ª Vara Cível do Foro Central Cível do Tribunal de Justiça de SP (TJ-SP) concedeu tutela de urgência, com base no entendimento de que “embora a liberdade de expressão seja um direito fundamental garantido constitucionalmente, ela não é absoluta e deve ser limitada quando violar indevidamente a inviolabilidade da imagem e da privacidade”. Na ação, o autor alegou ser alvo de uma campanha difamatória conduzida pelo jornalista Leo Dias, e disseminada pela Rede Bandeirantes, Facebook e Google. As reportagens e publicações afirmavam que o autor teria sido preso nos EUA por roubo e estaria sendo investigado por liderar um esquema de relógios falsificados. Contudo, o autor apresentou um relatório oficial atestando que a detenção em solo estrangeiro se deu por um delito de menor potencial ofensivo, equivalente a “vias de fato” (battery), não havendo qualquer menção a furto ou roubo. Além disso, comprovou-se que a questão dos relógios foi tratada pelas autoridades competentes apenas como “matéria cível”. Ao analisar o pedido, a julgadora reconheceu a probabilidade do direito do autor e constatou a existência de aparente inverdade sendo veiculada na mídia, o que fere sua imagem e privacidade. A magistrada também destacou o perigo de dano iminente, dado o grande alcance que o réu e a concessionária de televisão possuem perante o público. A liminar determinou também que as plataformas Google e Facebook removam publicações específicas listadas no processo. Adicionalmente, Leo Dias e TV Bandeirantes foram intimados a se absterem de veicular novas publicações ou notícias imputando ao autor a prática de roubo, furto, fraude ou liderança no suposto esquema de relógios, sob pena de multa de R$ 2.500 por ato de descumprimento.

São Paulo (SP) II - A Jovem Pan foi condenada a pagar uma indenização de R$ 15 mil a um capitão da Polícia Militar (PM) que foi vinculado de forma equivocada ao assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes em 2018. Em 2023, durante a cobertura dos desdobramentos do caso, a Jovem Pan utilizou uma foto do militar como se ele fosse o ex-bombeiro Maxwell Correa, o Suel, acusado de ter participado do crime. Na ação contra a emissora, o capitão da PM declarou que ficou “atordoado e atônico” quando descobriu que havia sido vinculado de forma equivocada a um indivíduo suspeito de ter envolvimento no assassinato. O militar explicou que, por causa do erro, passou por diversas situações de constrangimento. Para o desembargador Alexandre Bucci, que confirmou a indenização de R$ 15 mil, houve uma “falha grotesca” por parte da Jovem Pan, que “atuou sem qualquer zelo ou compromisso com a verdade dos fatos”. Na defesa, a emissora declarou que cometeu um “equívoco técnico”, um erro pontual, e que corrigiu a informação pouco tempo depois, junto de um pedido de desculpas pela falha. Além disso, o veículo disse que em nenhum momento divulgou o nome do capitão da PM, não cometeu ato ilícito e não teve intenção de difamar o militar. Ainda cabe recurso.

PELO MUNDO

EUA - A liberdade de imprensa nas Américas registrou acentuada deterioração entre outubro de 2025 e abril de 2026, com censura prévia, perseguição judicial, violência contra jornalistas e uso de estruturas estatais para limitar a circulação de informação. Relatório da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) divulgado em 24 de abril reúne casos em diferentes países e identifica padrões comuns de atuação, além da falta de modelos eficazes e de garantias à sustentabilidade do jornalismo. Segundo o presidente da organização, Pierre Manigault, a região vive um momento crítico, em que a liberdade de imprensa enfrenta “um cerco coordenado, sofisticado e cada vez mais normalizado, que transcende regimes e fronteiras”. O recorte sobre o Brasil, elaborado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), registra intimidação, censura judicial e ataques organizados a profissionais da imprensa e veículos e mostra que boa parte da violência contra a imprensa ocorre de forma coordenada “com o objetivo de desacreditar o jornalismo em um momento em que sua atuação é essencial para garantir o acesso à informação e promover a tomada de decisões informadas por parte do eleitorado”. O relatório sobre as Américas foi apresentado no encerramento da Reunião de Meio de Ano 2026 da SIP, em Miami (EUA), pelo primeiro vice-presidente da organização, Carlos Jornet. Um pouco antes, Martha Ramos, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da entidade, avaliou o informe ressaltando que há em curso no hemisfério uma reconfiguração autoritária a partir do poder. O relatório inclui referências a declarações de Javier Milei, Gustavo Petro, Rodrigo Chaves e Donald Trump, associadas a críticas ao jornalismo. Há também restrições a coletivas, credenciamento e circulação de dados públicos. O uso de publicidade estatal aparece em casos na Guiana, Haiti, Chile, México e Costa Rica, com impacto financeiro sobre veículos e redução de receita. A violência passa por assassinatos no Peru, México e Equador, além de sequestros no Haiti. Nos EUA, há registros de agressões durante coberturas. Em diversos países, investigações não avançam. 

França – A ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF) denuncia, em seu Relatório Anual de Liberdade de Imprensa que “mais da metade dos países do mundo se encontra em uma situação ‘difícil ou muito grave’: essa é uma constatação sem precedentes na história do Índice Mundial de Liberdade de Imprensa”. A RSF acrescenta que, em 25 anos, a pontuação média de todos os países estudados nunca foi tão baixa. Isso significa que não só o trabalho dos jornalistas nunca foi tão complicado e perigoso, como também que o direito à informação nunca foi tão violado. O jornalismo está sendo criminalizado internacionalmente, e a queda no indicador legal ilustra isso: a instrumentalização de leis cada vez mais restritivas está corroendo o direito à informação, mesmo em democracias. Dos cinco indicadores utilizados para medir o estado da liberdade de imprensa no mundo (econômico, legislativo, de segurança, político e social), o quadro jurídico foi o que mais se deteriorou este ano. Os EUA (64º) perderam sete posições, enquanto outros países americanos, como Equador e Peru, despencaram. A Noruega está no topo do ranking pelo décimo ano consecutivo, enquanto a Eritreia ocupa a última posição há três anos. A Síria (141º) pós-Assad apresentou a maior recuperação no ranking em 2026 (+36).

Guatemala - O jornalista Carlos Humberto Cal, da Associação de Jornalistas de Cobán, foi morto a tiros na estrada que leva a San Cristóbal Verapaz, na noite de 26 de abril. O profissional era muito reconhecido na comunidade por seu trabalho jornalístico. As autoridades investigam o crime cuja motivação segue desconhecida.

México I - O repórter Jerson Cardozo, da Tele Saltillo, foi atacado na manhã de 17 de abril, durante uma transmissão ao vivo para cobrir um capotamento de carro no Boulevard Fundadores. Os vídeos mostram pessoas, incluindo familiares e o acompanhante do motorista, agredindo fisicamente e perseguindo o jornalista. Além disso, a gravação mostra a presença de um agente de trânsito de Saltillo, que não intervém e até permite que as pessoas envolvidas no capotamento e seus familiares deixem o local. O Departamento de Polícia para Segurança e Proteção ao Cidadão informou que a denúncia referente aos ataques contra o repórter foi encaminhada à Unidade de Assuntos Internos para que os policiais envolvidos sejam convocados e as responsabilidades sejam apuradas. Ele acrescentou que instruiu a Unidade de Assistência às Vítimas a prestar apoio ao jornalista no processo de queixa, com o objetivo de garantir o acesso à justiça e o acompanhamento do caso.

México II - Gabriel Chan, repórter do jornal Diario de Yucatán, em 10 de abril, foi cobrir um acidente de carro na ponte do quilômetro 6 do anel viário de Mérida. O acidente teria envolvido o comandante Luis Felipe Ojeda, secretário de Segurança Pública. Ao chegar ao local, o jornalista observou policiais colocando cones de trânsito, que, segundo ele, tinham como objetivo “controlar o tráfego na área”. Sem identificar claramente a cena, Chan aproximou-se do local para começar a registrar os acontecimentos. Nesse momento, um policial disse que ele não podia tirar fotos e pediu que se retirasse, alegando a presença de cones de trânsito. Quando tentou continuar sua cobertura, outro policial se aproximou de Gabriel, tentou pegar seu celular e o empurrou. Nesse instante, o Subsecretário de Trânsito, Jesús Novelo interveio e impediu que o policial agredisse ainda mais o jornalista. No entanto, Gabriel Chan afirma que o comandante o abraçou pela cintura e o levou à força para longe do local.

Colômbia - O jornalista David Anaya Campana, conhecido por sua cobertura do time de futebol América de Cali, foi atacado no Aeroporto El Dorado, em Bogotá, em 4 de abril, quando tentava embarcar para a cidade de Cúcuta. O agressor se identificou como membro da torcida organizada do time de futebol Deportivo Cali. Em um vídeo que ele mesmo gravou, é possível vê-lo insultando verbalmente o jornalista. Apesar de Anaya ter tentado ignorar a provocação, o homem o atingiu na nuca. O agressor desafiou repetidamente o repórter para uma briga no meio do terminal. Campana manteve a compostura diante do assédio. O jornalista questionou o comportamento do agressor e pediu que ele mantivesse a ordem em um espaço público. Após o incidente, o jornalista optou por não reagir à violência e prosseguiu com seu itinerário de viagem. O vídeo do ataque viralizou em poucas horas. Diversos setores ligados ao futebol colombiano e associações de imprensa condenaram unanimemente o ataque.

Venezuela- Pelo menos 10 jornalistas e profissionais da mídia foram atacados enquanto cobriam a marcha de 9 de abril na capital Caracas, informa relatório divulgado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP). O sindicato informou que os incidentes ocorreram enquanto os jornalistas cobriam a manifestação convocada para reivindicar salários e aposentadorias dignos. Segundo a SNTP, repórteres foram agredidos, atingidos com spray de pimenta e roubados de seus pertences, supostamente por membros da Polícia Nacional Bolivariana (PNB), que também teriam bloqueado a manifestação. A ONG afirmou ter registrado 10 casos, embora tenha alertado que o número pode ser maior. Os ataques relatados incluíram golpes com escudos antimotim, destruição de equipamentos de trabalho — como telefones e microfones —, danos a óculos e roubo de pertences pessoais.

Argentina – O apresentador Luís Ventura, da America TV, foi vítima de inúmeras ameaças, inclusive de morte, através do Whats App, desde abril de 2025. Um homem de 26 anos foi preso em 24 de abril no distrito de San Nicolás, em Buenos Aires, acusado de coação agravada pelas ameaças contra o jornalista. Ventura relata que começou a receber mensagens via WhatsApp em 20 de abril de 2025, por volta das 21h, enviadas de vários números nacionais e internacionais, com ameaças de morte, insultos antissemitas e referências a armas e assassinatos dirigidos tanto ao jornalista quanto à sua família. Naquela ocasião, Ventura relacionou as ameaças à sua participação como convidado em um programa de televisão, onde, naquele mesmo dia, apresentou informações de interesse público. A intimidação repetiu-se noutras datas: 12 e 28 de junho e 2 de setembro de 2025, sempre a partir de números diferentes, o que levou os investigadores a considerar a existência de assédio sistemático. O caso foi registrado no Tribunal Penal e Correcional Nacional, sob a jurisdição da juíza Sandra Vites, que ordenou medidas urgentes para identificar os responsáveis. O mandado de busca e apreensão foi cumprido na residência do suspeito, onde os agentes apreenderam dois telefones celulares que serão examinados como parte da investigação.

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A Associação Riograndense de Imprensa (www.ari.org.br) disponibiliza o correio eletrônico imprensalivre@ari.org.br aos profissionais e estudantes da comunicação social para as denúncias envolvendo atentados ao livre exercício da profissão de jornalista.

Fontes: ARI (www.ari.org.br), ABI (www.abi.org.br), Fenaj (www.fenaj.org.br), ANJ (www.anj.org.br), Observatório da Imprensa (www.observatoriodaimprensa.com.br), Abert (www.abert.org.br), Abraji (www.abraji.org.br), Portal Imprensa (www.portalimprensa.com.br), Rede em Defesa da Liberdade de Imprensa (www.liberdadedeimprensa.org.br), Portal Coletiva (www.coletiva.net), Portal dos Jornalistas (https://www.portaldosjornalistas.com.br/), Jornalistas & Cia (https://www.jornalistasecia.com.br/),  https://mediatalks.uol.com.br, Consultor Jurídico (https://www.conjur.com.br/areas/imprensa), Sociedade Interamericana de Imprensa (Miami), Federação Internacional de Jornalistas (www.ifj.org) (Bruxelas), Sindicato dos Jornalistas de Portugal (www.jornalistas.eu)(Lisboa), ONG Repórteres Sem Fronteiras (www.rsf.org) (Paris), Portal Comunique-se (portal.comunique-se.com.br), Comitê de Proteção aos Jornalistas (Nova Iorque), Centro Knight para o Jornalismo nas Américas (knightcenter.utexas.edu), ONG Campanha Emblema de Imprensa (PEC), FreedomHouse (www.freedomhouse.org), Associação Mundial de Jornais (www.wan-ifra.org), Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) (http://www.oas.org/pt/cidh/), Fórum Mundial dos Editores, https://forbiddenstories.org/, https://www.mfrr.eu/, https://www.onefreepresscoalition.com/press e outras instituições e entidades de defesa do livre exercício da profissão de jornalista.

Pesquisa e edição: Vilson Antonio Romero (RS)

vilsonromero@yahoo.com.br

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