A LIBERDADE DE IMPRENSA NO BRASIL E NO MUNDO
Destaques: Observatório do MJSP lança guia contra ataques a jornalistas na campanha eleitoral. CDJor pede ao STF a defesa do sigilo da fonte. Justiça mantém indenização à repórter da Folha de S. Paulo. Narcotraficantes ameaçam profissionais na Colômbia. Governo israelense prende e deporta comunicadores. Presidente argentino intensifica ataques à imprensa.
NOTAS DO BRASIL
Porto Velho (RO) - O jornalista Rubens Coutinho, do jornal digital Tudo Rondônia, afirmou ter sido intimidado por um vídeo publicado pelo candidato a deputado federal Mário Angelino Moreira, o Jabá Moreira (PT), no qual o parlamentar diz que Coutinho “devia tomar cuidado”. O jornalista registrou boletim de ocorrência, apresentou notícia-crime, representação criminal e também acionou o Sindicato dos Jornalistas local (Sinjor-RO) que prestou solidariedade ao profissional. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RO), através do juiz Rinaldo Forti da Silva, rejeitou pedido liminar do candidato a deputado federal de retirada de vídeos publicados no Instagram, motivo da disputa, pelo editor do site Tudo Rondônia. O primeiro vídeo trata da crise política envolvendo PT e PSB em Rondônia e da candidatura de Neidinha Suruí ao Senado. No segundo vídeo, Coutinho afirma ter sofrido uma ameaça de Jabá depois das críticas dirigidas ao Partido dos Trabalhadores.
São Paulo (SP) I – O repórter Igor Carvalho, supervisor de jornalismo do portal Brasil de Fato, foi atingido por uma cabeçada desferida por um cinegrafista da GloboNews durante uma discussão por espaço para registrar o debate entre os candidatos à Presidência da República, promovido em 9 de agosto, pela rede Bandeirantes. A rede Globo, em decorrência do fato, rescindiu o contrato do profissional que prestava serviço temporário à emissora e foi retirado das dependências da emissora logo após o incidente.
Rio Branco (AC) – Diversos veículos de comunicação e jornalistas divulgaram em 4 de agosto nota de repúdio contra a organização da coletiva de imprensa realizada durante a convenção da coligação partidária Avança Acre. Os profissionais acusam assessores de mídias sociais, seguranças e funcionários da produtora responsável pelo evento de empurrar repórteres, derrubar microfones e agir de forma agressiva durante a cobertura. Os jornalistas haviam sido convidados pela própria organização para acompanhar a convenção. Durante o evento, integrantes das equipes responsáveis pelo controle do espaço também teriam ameaçado cancelar a programação diante dos conflitos com os profissionais de imprensa. Assinaram a nota os veículos Folha do Acre, Portal Acre, Notícias da Hora, O Alto Acre e F5 News Acre que cobraram uma mudança imediata nos protocolos adotados pela coligação durante eventos políticos. O pedido inclui garantias de que novas situações de empurrões, ameaças e desrespeito ao trabalho jornalístico não devam ocorrer.
São Paulo (SP) II – A Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), em nota pública, divulgada em 14 de agosto, pediu que o Supremo Tribunal Federal (STF) restabeleça a necessária proteção ao instituto do sigilo da fonte, em nome de condições seguras para o trabalho da imprensa. O princípio, previsto no inciso XIV, do artigo 5º, da Constituição Federal, é fundamental para a garantia do direito de acesso à informação da população e constitui um dos vértices de sustentação do Estado Democrático de Direito, escreve a CDJOR. A entidade também afirma que jornalistas estão sujeitos à legislação, como quaisquer cidadãos, e podem ser investigados por eventuais crimes. Contudo, segue a nota, não se pode admitir a inversão da lógica investigativa e violar a garantia constitucional do sigilo de fonte com o intuito de prospectar informações e tentar encontrar indícios de atividades ilícitas. Neste sentido, a coalizão reitera que “as decisões monocráticas de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que, em março, determinaram a quebra do sigilo de um jornalista e, recentemente, autorizaram uma operação contra uma de suas fontes, configuram um precedente perigoso para uma imprensa livre”. A CDJor reúne dez organizações que atuam em defesa de condições livres, seguras e independentes para o trabalho da imprensa: Associação de Jornalistas da Educação (Jeduca), Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ), Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), ONG Artigo 19, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Associação de Jornalismo Digital (Ajor), Instituto Palavra Aberta, Instituto Tornavoz, Instituto Vladimir Herzog, Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social e ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF).
Brasília (DF) I - Os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defenderam que a Corte volte a discutir a dispensa de diploma de jornalismo para o exercício da profissão. Durante julgamento na 1ª Turma, em 18 de agosto, Dino afirmou que a extinção da exigência dificulta a definição de quem está sujeito às garantias próprias da atividade jornalística, enquanto Moraes sustentou que o tema pode ser objeto de regulamentação. A discussão ocorreu durante julgamento sobre direito de resposta concedido a uma clínica médica após reportagem da TV Globo envolvendo denúncias de abusos sexuais. O processo acabou suspenso, após pedido de vistas da ministra Cármen Lúcia. Ao votar, Dino lembrou que o Supremo afastou a obrigatoriedade do diploma e afirmou respeitar o entendimento da Corte, mas considerou que a questão poderia ser debatida novamente. Segundo o ministro, a dispensa passou a representar um “complicador” diante da ampliação das redes sociais, uma vez que as garantias relacionadas à atividade jornalística poderiam ser reivindicadas por qualquer pessoa que se apresente como jornalista ou blogueiro.
São Paulo (SP) III - A Rede Nacional de Proteção de Jornalistas e Comunicadores, coordenada pelo Instituto Vladimir Herzog, lançou em 11 de agosto a “Carta Compromisso com a Defesa da Liberdade de Expressão e da Segurança de Jornalistas e Comunicadores (as)”. Nas eleições anteriores, a Rede também promoveu a iniciativa, com amplo apoio de postulantes aos cargos públicos. Os integrantes da Rede estão coletando adesões de candidaturas ao Executivo e ao Legislativo, estadual e federal, que se comprometam com o respeito ao trabalho jornalístico, com a comunicação popular e à liberdade de imprensa, durante as campanhas e em eventuais mandatos a partir de 2027. A carta apresenta dez itens essenciais para o livre exercício comunicacional, como: condenar publicamente qualquer forma de violência ou ataque contra jornalistas, comunicadores e a imprensa em geral; não estimular, direta ou indiretamente, que apoiadores ofendam, ataquem ou agridam jornalistas, comunicadores e demais trabalhadores da imprensa; não produzir, promover nem contribuir para a disseminação de conteúdos falsos e desinformação; além de fomentar políticas públicas que promovam a sustentabilidade da comunicação popular e comunitária.
Brasília (DF) II - A repórter Patrícia Campos Mello, do jornal Folha de S. Paulo, deve ser indenizada em R$ 25 mil por danos morais. A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou um recurso de Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário da empresa de disparo em massa Yacows, e manteve a decisão condenatória da Justiça de SP. Patrícia acionou a Justiça após ser insultada por Hans em 2020, quando ele mentiu ao prestar depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, no Congresso Nacional, acusando a repórter de ter se insinuado sexualmente a ele em troca de informações. Hans trabalhou para a Yacows, empresa especializada em marketing digital, durante a campanha eleitoral de 2018.
São Luis (MA) I - O jornalista e blogueiro Luís Pablo Conceição Almeida, que recentemente passou a ser investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) após a publicação de reportagens sobre o ministro Flávio Dino, também será julgado pela Justiça do MA em um processo que apura a atuação de uma suposta rede de extorsão contra políticos e empresários no estado. A audiência foi marcada para o dia 15 de dezembro pela 2ª Vara Criminal do MA. O caso tem origem na Operação Turing, deflagrada em 2017 para investigar um grupo de blogueiros suspeito de obter informações sigilosas de investigações policiais e utilizá-las para extorquir pessoas investigadas. Segundo a denúncia do Ministério Público, o grupo recebia dados reservados por meio de um policial federal e cobrava valores entre R$ 1,5 mil e R$ 10 mil para não publicar as informações em sites e blogs. As investigações apontam que algumas pessoas, ao terem acesso antecipado aos dados das apurações, conseguiam fugir ou destruir provas. Na época dos fatos, Flávio Dino era governador do MA e determinou a exoneração do policial federal apontado como responsável pelo vazamento das informações, que ocupava um cargo na Secretaria de Administração Penitenciária do estado. Luís Pablo chegou a ser preso durante a operação, mas foi liberado poucas horas depois. Agora, responde pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa, extorsão e obstrução da Justiça.
São Luis (MA) II – O jornalista e blogueiro Luís Pablo foi alvo de inquérito aberto pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, mas a Polícia Federal (PF) não apresentou provas de que ele tenha cometido o crime de perseguição, imputado a ele inicialmente a partir de reportagens publicadas em 2025 sobre o uso de veículos oficiais por Flávio Dino no MA. A investigação provou apenas que Luís Pablo recebeu de uma fonte fotos e informações sobre a movimentação de Dino e sua família em vias públicas, sem demonstrar que o jornalista tivesse seguido o carro usado pelo ministro para intimidá-lo ou constrangê-lo, atos que caracterizam o crime de perseguição, também conhecido como “stalking”. Ainda assim, o inquérito foi mantido em andamento por Alexandre de Moraes e, com dados de dois celulares, um notebook e um pen drive apreendidos com Luís Pablo, a PF identificou como fonte das informações publicadas pelo jornalista o ex-secretário de governo Raimundo Cutrim, adversário político de Dino no MA. Num dos relatórios, a PF avança na investigação e destaca, a partir de mensagens de WhatsApp de Luís Pablo com outra pessoa, que as matérias publicadas pelo jornalista tinham “o intuito de passar uma imagem negativa” de Flávio Dino. No pedido apresentado a Moraes, à época, a PF apresentou cópias das reportagens publicadas por Pablo, no ano passado, sobre o uso de carros do governo e do Tribunal de Justiça do MA (TJ-MA) por Flávio Dino. O ministro nega irregularidades e diz que é alvo constante de ameaças e agressões. O STF tem parceria com o TJ-MA para garantir proteção ao ministro em suas visitas ao estado. Neste mês, a partir da identificação de Cutrim como fonte das informações sobre Dino publicadas por Luís Pablo, Moraes mandou a PF executar busca e apreensão contra ele e também contra um advogado identificado nos diálogos com o jornalista.
Manaus (AM) - O apresentador José Siqueira Barros Junior, conhecido por Sikêra Júnior, foi condenado a pagar R$ 30 mil por danos morais à jornalista Basília Rodrigues, em decisão proferida em 10 de agosto pela Terceira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do AM (TJ-AM). O motivo do processo data de 9 de setembro de 2022, quando Sikêra comandava o programa “Alerta Nacional”, da TV A Crítica, de Manaus, transmitido também pela RedeTV!. Na ocasião, o apresentador satirizava Basília por ela ter afirmado, durante o programa “CNN Novo Dia”, da CNN Brasil, que o lema escrito na bandeira do Brasil era “independência ou morte”, em vez de “ordem e progresso”. A analista de política se corrigiu posteriormente, mas o episódio serviu de pretexto para as ofensas que se seguiram. O TJ-AM também levou em consideração conteúdo divulgado por Sikêra em plataforma digital, no qual Basília era identificada como “cara de bolacha”. Além disso, a corte constatou que, após o ocorrido, a jornalista passou a ser alvo de comentários depreciativos de outras pessoas sobre o seu corpo, o que agravou o dano à sua honra e à sua imagem. Para os desembargadores, o apresentador extrapolou os limites da liberdade de expressão ao fazer gestos que imitavam a aparência física da profissional. Ainda cabe recurso da decisão.
São Paulo (SP) IV - A Band TV está sendo processada pelo ex-goleiro Bruno Fernandes por causa de uma série de reportagens exibidas desde 2022 no programa “Melhor da Tarde”. O ex-jogador do Flamengo alega perseguição e está pedindo indenização por danos morais de R$ 4 milhões por violação do direito de imagem. O processo tramita na 1ª Vara Cível da Comarca de Cabo Frio. Nos autos, a apresentadora Catia Fonseca, que saiu da emissora no ano passado, também foi citada como ré. Os documentos justificam que ela fez críticas ao autor – entre as quais, uma declaração sobre o pagamento de pensão ao filho, Bruninho, fruto de relação rápida com Eliza Samudio, que foi assassinada em 2010. Com o processo, os advogados do ex-goleiro do Flamengo tentaram impedir a exibição de novas matérias sobre o assunto e pediram que o “Melhor da Tarde” não falasse mais o nome de Bruno, mas a juíza Juliana Figueira rejeitou a solicitação.
São Paulo (SP) V – O jornal Folha de S. Paulo ingressou com petição na justiça para que a ferramenta de inteligência artificial Perplexity pare de coletar e usar seus textos sem autorização. A ação também busca indenização por perdas e danos e lucros cessantes, além da destruição dos modelos que incorporam conteúdos do jornal. A Perplexity busca informações na internet em tempo real e resume o que encontrou ao responder perguntas dos usuários. Segundo o veículo, isso configura violação de direitos autorais e concorrência desleal. A Perplexity treinou suas ferramentas com conteúdo da Folha e segue fazendo isso por meio de acesso não autorizado. A IA usa bots para driblar o paywall e fornece a seus próprios usuários, tanto na versão gratuita quanto nas versões pagas, conteúdos do jornal que só deveriam estar disponíveis aos assinantes. No ano passado, a Folha já havia processado a OpenAI, dona do ChatGPT. Mas, no último mês de março, as empresas fecharam um acordo de parceria para uso do conteúdo jornalístico. O jornal também possui acordo com o Google para remuneração de seu conteúdo e aperfeiçoamento da ferramenta de IA Gemini. Já a Perplexity não deu retorno às tentativas de acordo amigável propostas pela autora.
Brasília (DF) III - O Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), lançou um guia com orientações para profissionais da imprensa enfrentarem situações de violência durante o período eleitoral. Produzido pelo Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do Observatório, o material indica medidas de segurança, preservação de provas e acionamento dos órgãos competentes diante de agressões, ameaças, intimidações e outras formas de violência ligadas ao exercício profissional. Coordenado pela Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), o Observatório reúne representantes do poder público e de entidades ligadas ao jornalismo. O guia “Como agir diante da violência contra jornalistas e comunicadores no período eleitoral” parte do princípio de que ataques contra profissionais da imprensa também atingem a liberdade de imprensa, o direito da sociedade à informação e a integridade do processo democrático. A publicação relaciona situações capazes de configurar violência no contexto eleitoral. A lista inclui agressões físicas, ameaças, intimidações destinadas a impedir perguntas ou afastar equipes, danos ou retenção de equipamentos, impedimento de cobertura, ataques digitais coordenados e assédio judicial ou uso abusivo de medidas legais. O guia também aborda episódios no ambiente digital, como divulgação indevida de dados pessoais, ameaças on-line, tentativas de derrubada de perfis e circulação de conteúdos sintéticos ou manipulados por inteligência artificial. Diante de risco grave ou iminente, a orientação principal consiste em proteger a vida e a integridade física. O profissional deve deixar a área de risco, procurar um local protegido e acionar a polícia em casos de agressão, ameaça ou perseguição. O atendimento médico também deve ser procurado quando houver necessidade.
PELO MUNDO
Colômbia - O jornalista Cristian Salas, do veículo independente Noticias El Boom, e Yeison Rojas, do programa “TeleAntioquia Noticias” e da Darien TV, divulgaram ameaças recebidas de membros das Forças de Autodefesa Gaitanistas da Colômbia (AGC), também conhecidas como Clan del Golfo, a maior organização ilegal de tráfico de drogas do país. Outros dois jornalistas também ameaçados, do Voces de Urabá no Facebook, não quiseram revelar seus nomes. As ameaças ocorreram após eles publicarem reportagens sobre supostas irregularidades cometidas pelo Secretário de Mobilidade do Apartadó, Óscar Ângulo, na capital Bogotá. Em ligações feitas por membros do grupo armado, os jornalistas receberam ordens para parar de publicar informações sobre Ángulo ou enfrentariam consequências não especificadas. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) externou sua preocupação e exigiu das autoridades a imediata investigação e punição dos responsáveis.
Argentina - O presidente Javier Milei, da Argentina, intensificou seu ataque contra o jornalismo com uma avalanche de mensagens negativas que escreveu ou compartilhou nas redes sociais e com alusões em discursos oficiais, recorrendo a insultos, menções escatológicas, acusações sem provas e ao uso sistemático do bordão “não odiamos os jornalistas o suficiente”. Um levantamento de sua conta na rede social X mostra que ele reproduziu 335 mensagens contra a imprensa entre 17 e 23 de agosto, além de escrever outros 26 textos próprios e fazer 21 menções ao jornalismo, sempre em tom depreciativo, nos dois discursos e na entrevista que concedeu no período. Além disso, ele atacou 16 jornalistas citando nomes completos e questionou diversas empresas de comunicação. Entre os veículos criticados por Milei estão La Nacion, Clarín, Infobae, Perfil, El Destape, Crónica TV, LN+, TN e C5N. Em discurso no Council of the Americas, ele foi categórico ao atacar a imprensa. Falou em “jornalistas corruptos, mentirosos, comprados, sicários do microfone, seres intelectualmente muito precários, símios com microfone, imbecis e a escória dos jornalistas”. Ele acusou quase todos os veículos de comunicação de trabalharem “para derrubar o governo”.
Colômbia – Duas dezenas de emissoras de rádio tiveram sua programação suspensa por decisão do sistema público de comunicação social, conhecido como Inravisión. A Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP), a Missão de Observação Eleitoral e a Associação Mundial de Radiodifusores Comunitários rejeitaram a determinação, pois as estações de rádio surgiram após o Acordo de Paz de 2016 para fornecer informações e “promover a coexistência e a reconciliação nas áreas afetadas pelo conflito”. Sua criação foi estabelecida como um mandamento constitucional e é juridicamente vinculativa. Hoje operam em 11 municípios: Flórida, Bojayá, Arauquita, Puerto Leguizamo, Algeciras, El Tambo, Chaparral, Ituango, Convención, Fonseca e San Jacinto, e alcançam mais de 460 mil pessoas, muitas delas em áreas rurais e comunidades indígenas, camponesas e afrodescendentes.
Inglaterra – O jornal Daily Maily deve ser indenizado em cerca de cerca de 10 milhoes de libras pelo Príncipe Harry, o cantor Elton John e outros autores de ação judicial por violação de privacidade. O juiz Matthew Nicklin rejeitou o caso apresentado pelo filho mais novo do rei Carlos III, pelo cantor e por outras cinco figuras, recusando as alegações de que os jornais do grupo Associated Newspapers tinham se envolvido em atividades ilegais generalizadas, como escuta telefónica. Na sentença, Nicklin criticou duramente a forma como o caso dos queixosos foi apresentado, inclusive por alegações graves se terem baseado em fundamentos “especulativos e inferenciais”.
Costa Rica - A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) expressou preocupação com um decreto de 10 de agosto que classifica como segredo de Estado uma ampla gama de informações relacionadas à Direção de Inteligência e Segurança Nacional (DIS), ao Conselho Nacional de Segurança Pública e ao grupo de trabalho Fuerza Élite. A organização advertiu que a medida dificulta o trabalho jornalístico e restringe o acesso a informações de interesse público, com consequências para a liberdade de imprensa e o direito dos cidadãos de serem devidamente informados. A medida, assinada pela presidente Laura Fernández, abrange informações sobre operações policiais e de inteligência, estruturas de comando, recursos tecnológicos, planos de segurança, orçamentos, despesas e contratações públicas, além de documentos, reuniões, acordos e outros arquivos desses três órgãos de segurança.
Israel – O jornalista freelancer
Mohammed Awad, colaborador da Agence France-Presse (AFP) e do canal catariano
Al Jazeera, foi preso em 12 de agosto em sua casa na vila de Beitunia, a oeste
de Ramallah, sob a acusação de “terrorismo”. Cerca de 20 jornalistas foram detidos
pelas autoridades israelenses desde 7 de outubro de 2023. Além dessa repressão
contra jornalistas locais, correspondentes da imprensa internacional também
enfrentam obstáculos. A jornalista francesa Alice Froussard, colaboradora da
Radio France Internationale (RFI), foi deportada ao chegar ao Aeroporto Ben
Gurion, em Tel Aviv, em 10 de junho. A deportação ocorreu após a imposição de
proibições de entrada nos EUA aos jornalistas Queralt Castillo, Khadija Toufik
e Alessandro Stefanelli.
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Fontes: ABI (www.abi.org.br), Fenaj (www.fenaj.org.br), ANJ (www.anj.org.br), Observatório da Imprensa (www.observatoriodaimprensa.com.br), Abert (www.abert.org.br), Abraji (www.abraji.org.br), Portal Imprensa (www.portalimprensa.com.br), Rede em Defesa da Liberdade de Imprensa (www.liberdadedeimprensa.org.br), Portal Coletiva (www.coletiva.net), Portal dos Jornalistas (https://www.portaldosjornalistas.com.br/), Jornalistas & Cia (https://www.jornalistasecia.com.br/), https://mediatalks.uol.com.br, Consultor Jurídico (https://www.conjur.com.br/areas/imprensa), Sociedade Interamericana de Imprensa (Miami), Federação Internacional de Jornalistas (www.ifj.org) (Bruxelas), Sindicato dos Jornalistas de Portugal (www.jornalistas.eu)(Lisboa), ONG Repórteres Sem Fronteiras (www.rsf.org) (Paris), Portal Comunique-se (portal.comunique-se.com.br), Comitê de Proteção aos Jornalistas (Nova Iorque), Centro Knight para o Jornalismo nas Américas (knightcenter.utexas.edu), ONG Campanha Emblema de Imprensa (PEC), FreedomHouse (www.freedomhouse.org), Associação Mundial de Jornais (www.wan-ifra.org), Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) (http://www.oas.org/pt/cidh/), Fórum Mundial dos Editores, https://forbiddenstories.org/, https://www.mfrr.eu/, https://www.onefreepresscoalition.com/press e outras instituições e entidades de defesa do livre exercício da profissão de jornalista.
Pesquisa e edição: Vilson Antonio Romero (RS)
vilsonromero@yahoo.com.br